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Victor Maino'i

Trajetória e Formação

Victor Mainoi é um artista multidisciplinar natural da periferia da Zona Noroeste de São Paulo. A sua identidade foi construída a partir da interseção entre o movimento e a cena, tendo iniciado o seu percurso nas artes corporais (capoeira e dança) e no teatro, onde se formou ator no Teatro Escola Macunaíma em 2012, o que lhe permitiu atuar em peças de teatro, além de passagens por montagens profissionais e produções no Theatro Municipal de São Paulo. Esta bagagem cênica confere às suas obras visuais um olhar sensível sobre o movimento e a cena, a escala e a expressão humana.

Da Pintura ao Muralismo

Em 2012, Mainoi iniciou a sua trajetória na pintura e na intervenção urbana. Contudo, foi em 2017, ao ingressar na Escola Panamericana de Arte e Design, que compreendeu os caminhos para se aprofundar em suas pesquisas, conferindo maior densidade e maturidade técnica ao seu trabalho. Foi esse ponto de virada que o levou a consolidar o muralismo como campo de investigação principal. A sua prática artística transpõe as fronteiras das galerias para ocupar o espaço público, levando obras a diferentes contextos urbanos e rurais.

Residências Artísticas e Imersões Territoriais

As vivências em residências artísticas estruturaram a base intelectual e prática da sua obra:

São Paulo, 2015

Casa Amarela

Imersão de três meses nesta ocupação artística no centro de São Paulo. A convivência com o espaço e sua comunidade moldou de forma decisiva a sua percepção sobre questões sociais, políticas e permacultura.

Chaco – Argentina, 2018

Centro Cultural La Resistencia

Residência de pouco mais de um mês em que produziu cinco telas e mais de dez murais espalhados pela cidade, nas comunidades, em empreendimentos locais e até num campo de futebol, fortalecendo a sua relação com o território e a arte pública local.

Santos, 2022

Museu do Café

Residência de dois meses focada em pesquisa histórica e patrimonial, culminando na criação de uma tela em pintura a óleo que foi posteriormente leiloada.

Conceitos, Estética e Materialidade

A pesquisa de Mainoi explora a relação direta entre o suporte e a matéria. A vivência com diferentes ferramentas — como o pastel oleoso, que ocupa lugar de destaque por trazer a textura, a densidade e o gesto intuitivo que o artista buscava na pintura — enriquece e transforma a sua aplicação do spray e da tinta látex nas paredes, e vice-versa.

Suas criações articulam-se entre:

A Fauna e o Arquetípico

Os animais surgem como símbolos arquetípicos e manifestações da expressão divina, com sua própria história e simbolismos expressos na composição de maneira única. No meio urbano, a presença da fauna em sua pintura evoca o cuidado, a preservação e o direito à vida de cada ser, buscando um reequilíbrio entre a cidade e a natureza.

A Memória e a Cultura do Café

A relação com o café resgata as raízes familiares vindas de Minas Gerais e sua profunda conexão com a história da migração paulistana. O café funciona como fio condutor para valorizar as culturas tradicionais locais, a memória afetiva e o registro pictórico da identidade cultural.

Simbologia e Imagens Vivas

O beija-flor surge como ícone central de leveza, beleza, elegância e resistência, oferecendo um respiro poético e necessário à aridez urbana. Ao lado do beija-flor, o artista também trabalha com outros elementos simbólicos para traduzir em imagens vivas a sua assimilação do mundo e do espaço imagético além do nosso olhar.

Pesquisa e Arte como
Transformação Social

A jornada de Mainoi materializa-se na constante ponte entre a reflexão teórica e a ação direta no território. O café consolida-se como um dos eixos centrais de sua pesquisa visual e histórica, funcionando como catalisador de memórias, retratador de identidades locais e símbolo de conexão cultural. Paralelamente, a busca incessante por novos suportes, técnicas e linguagens surge não apenas como rigor estético, mas como um movimento essencial de renovação de energias — uma forma de manter a pintura viva, pulsante e em contínua transformação. Ao equilibrar a força das ruas com a contemplação das galerias e levar a poesia vibrante do beija-flor ao cotidiano urbano, Mainoi une ecologia, memória familiar e vivência comunitária, afirmando a arte como um canal potente de regeneração e transformação social.